Apoio social e psicológico ao paciente

10/03/2020

 

Apoio social e psicológico ao paciente1

 

 

 

A evolução do tratamento antirretroviral mudou o status do HIV/AIDS de doença aguda para doença crônica transmissível. Nesse cenário, modificações no cuidado dos pacientes são necessárias para obter um atendimento integral e de qualidade, por meio de uma equipe multiprofissional de saúde composta por médicos, psicólogos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, assistentes sociais, educadores, entre outros, focados:

 

  • Na atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas, promovendo acolhimento e vínculo, embasados em protocolos clínicos vigentes
  • No respeito ao sigilo, à orientação sexual e ao uso do nome social
  • Na integralidade da atenção com organização do trabalho em rede
  • No desenvolvimento de atividades que favoreçam a inclusão social com vistas à promoção de autonomia e ao exercício da cidadania

As pessoas que vivem com HIV (PVHIV) estão expostas a fatores que podem levar a estados de sofrimento psíquico: por um lado, o desafio de se viver com uma infecção sem cura, por outro, e não menos importante, terem de enfrentar cotidianamente expressões e reações de preconceito e discriminação social, sexual e afetiva. Tais sofrimentos e transtornos colocam novos desafios para o atendimento integral dos pacientes.


Considerando essas repercussões, a Política Nacional de Humanização (PNH) surge como uma forma de melhorar a interação das equipes multidisciplinares e traz uma mudança na cultura do cuidado aos pacientes. Dentre as ações para implementar a PNH dentro dos serviços de DST/AIDS é importante:


1- Repensar a centralidade do controle clínico da doença: considerar o paciente como sujeito ativo no processo de cuidado de sua saúde, promovendo sua autonomia e conciliando com a expectativa da equipe de saúde sempre que possível.


2- Promover a inclusão das pessoas vivendo com HIV nas soluções dos seus problemas: é comum que as decisões e responsabilidades pelo tratamento estejam restritas aos profissionais, sendo transferidos aos pacientes apenas aspectos simples, como ajustes nos horários das refeições e etc. É importante considerar o desejo do paciente abrindo possibilidades para uma tomada de decisão conjunta.


3- Adequar os serviços ao ambiente e à cultura local: respeitar a privacidade e promover um ambiente acolhedor e confortável.


4- Incluir no processo assistencial informações sobre o HIV/AIDS, o tratamento, a importância do autocuidado e do fortalecimento da autoestima, mudança de hábitos e comportamentos, convivência e participação/inclusão social.


5- Adotar estratégias de atendimento diferentes para homens, mulheres, crianças, adolescentes, travestis, homossexuais, usuários de droga, pessoas na terceira idade e casais sorodiferentes, considerando a singularidade de cada pessoa.

 



O trabalho em equipe multidisciplinar traz benefícios e impactos positivos na autogestão do tratamento, na retenção, na adesão, na manutenção da carga viral indetectável e, consequentemente, a uma melhor qualidade de vida dos pacientes.

  • Referência bibliográfica:

  • 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de vigilância, prevenção e controle de IST, dos HIV/AIDS e das hepatites virais. Atenção em Saúde Mental nos Serviços Especializados em DST/AIDS. 2012. Disponível em < http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2012/atencao-em-saude-mental-nos-servicos-especializados-em-dstaids-2012 > Acesso em 08 out. 2017.

BR/HIVP/0048/17 NOVEMBRO 2017

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