Como lidar com adolescentes e jovens vivendo com HIV/AIDS

19/09/2018

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De acordo com estimativas, todos os dias são registrados 6 mil novos casos de HIV/AIDS em jovens com idade entre 15 e 24 anos no mundo.1 No Brasil, entre 2007 e 2017, foram registrados 44.920 casos nessa faixa etária.2

Lidar com pacientes desse perfil é um desafio pois trata-se de uma fase em que a vida assume peculiaridades e todas as dúvidas e inseguranças vão além daquelas normalmente direcionadas às pessoas adultas vivendo com HIV.

Em primeiro lugar, antes mesmo de entender as questões relacionadas ao HIV que o adolescente e o jovem possam vir a ter, é essencial entender o estado psicológico do mesmo, considerando todas as questões inerentes a esse momento da vida.

é comum a qualquer adolescente viver sob uma fantasia de invulnerabilidade, o que pode dificultar a assimilação do fato de viver com HIV/AIDS. Além disso, o sentimento de solidão, o preconceito, a discriminação e o sofrimento moral podem prejudicar a maneira como ele lida com o diagnóstico.

Seguir um esquema terapêutico, comparecer ao serviço de saúde, realizar exames laboratoriais, principalmente se ainda não houver sintomas marcantes de doença, é uma rotina que pode ser de difícil aceitação para o adolescente.

 

Como se conectar ao paciente adoslescente e jovem

Estabelecer uma relação de confiança é fundamental. é ideal que essa conexão comece a ser trabalhada já no momento pré-teste para diagnóstico - que deve sempre ser feito com consentimento do paciente. Compreender o que se passa com o indivíduo nessa faixa etária e acolher as suas dificuldades é essencial nessa etapa.

Antes da realização do teste, é importante que o profissional de saúde facilite a expressão de sentimentos e dúvidas, buscando criar um ambiente mais confortável. Explorar as situações de risco vivenciadas (práticas sexuais de risco, uso de drogas injetáveis, histórico de infecções sexualmente transmissíveis) e trocar informações sobre o significado dos possíveis resultados do teste também são importantes nessas situações.

 

Aconselhamento pós-teste

No caso de resultado negativo, em primeiro lugar deve-se deixar claro que o acompanhamento deve continuar, pois ainda é possível que a infecção seja recente e que o organismo esteja em uma "janela imunológica" - período de cerca de 30 dias entre a infecção e a produção de anticorpos contra o HIV em uma quantidade suficiente para um resultado positivo.3 Nesse momento, também é importante discutir estratégias de redução de exposição a riscos de infecção, não só pelo HIV mas por outras ISTs, além de identificar dificuldades para a adoção de práticas mais seguras, auxiliando o jovem a reconhecer suas responsabilidades nesse contexto. 1

Se for um resultado positivo, é importante dar à pessoa o tempo necessário para assimilar a notícia, expressar dúvidas e sentimentos. A equipe multidisciplinar deve entender que a aceitação do diagnóstico é um processo gradual, progressivo e continuo. A abordagem deve ser individualizada e realizada em momento apropriado. O nível de informação e a priorização dos assuntos depende do contexto psicossocial e familiar em que o jovem está inserido.

O apoio emocional deve permear todo o atendimento (desde o primeiro contato) e o profissional de saúde deve demonstrar sua crença na capacidade de autocuidado do paciente, estabelecendo uma relação de confiança com o mesmo, criando condições para que ele avalie seus próprios riscos, tome decisões e encontre maneiras de adequar seu estilo de vida e rotina à necessidade de cumprir o tratamento e acompanhamento da melhor forma possível.

O acompanhamento clínico com profissionais capacitados pode ser a única oportunidade do jovem de obter informações importantes à sua saúde. O trabalho dos profissionais de saúde envolvidos na rede de cuidado dos jovens vivendo com HIV é fundamental para auxiliá-los nessa jornada.

 

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Fontes:

  1. 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Rotinas para Assistência a Adolescentes Vivendo com HIV/Aids. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/10001021667.pdf > Acesso em 24 ago.2018

  2. 2. BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim epidemiológico HIV/Aids 2017. P. 25. Disponível em < http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/boletim-epidemiologico-hivaids-2017 >. Acesso em 5 set.2018

  3. 3. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. O que é janela imunológica? Eu posso ter HIV e resultado negativo no teste? Como eu posso ter certeza de que meu resultado é mesmo negativo? Disponível em: < http://www.aids.gov.br/pt-br/faq/3-o-que-e-janela-imunologica-eu-posso-ter-hiv-e-resultado-negativo-no-teste-como-eu-posso-ter >. Acesso em 5 set.2018

 

 

 

BR/HIVP/0093/18 SETEMBRO 2018

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