Comunicando o resultado

23/11/2017

 

 

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Uma das dúvidas mais comuns dos profissionais de saúde é como revelar o diagnóstico de um paciente com HIV/AIDS. É um momento complexo, que gera muita ansiedade para o profissional que vai comunicar o fato e poderá causar um forte impacto emocional na pessoa que vai receber o diagnóstico positivo de testagem.

Refletir sobre a forma como é dada a notícia é fundamental, pois pode interferir diretamente na relação do paciente com o próprio diagnóstico que ainda está envolto por estigma e discriminação.

Não há fórmula ou regra sobre como contar a uma pessoa que ela vive com HIV. Ter habilidades de comunicação é, sem dúvida, fundamental, mas também é importante ser capaz de entender as respostas não verbais que o paciente oferece.

Como se preparar para dar um diagnóstico de HIV?

O momento é o primeiro passo para que a pessoa consiga conviver com o vírus minimizando os impactos na qualidade de vida. Diante do paciente, seu papel é apoiá-lo não só no aspecto clínico mas também no psicológico.

Para isso é preciso abrir caminhos para o diálogo. Para que essa tarefa seja facilitada, existem cinco fatores essenciais:

1 - Desenvolver habilidades de aconselhador

2 - Preparar o espaço onde será feita a revelação

3 - Saber avaliar o paciente

4 - Estimular a expressão dos sentimentos

5 - Planejar estratégias assistenciais

A seguir, explicamos melhor cada um deles:

1 - Desenvolver habilidades de aconselhador

O momento da revelação do diagnóstico é normalmente acompanhado por uma forte carga emocional. Nesse momento, a pessoa diagnosticada pode apresentar desorientação, confusão ou mesmo a falta ou mistura de reações.

É importante que o profissional de saúde esclareça que a pessoa precisará de apoio específico para estar bem informada e desenvolver estratégias de cuidado.

É preciso estar preparado para elucidar questões relacionadas à infecção, aos sintomas, passando pelas informações sobre cuidados daquele momento em diante.

Uma das dúvidas mais comuns, que geram mais confusão, é a diferença entre ter o HIV e estar com AIDS. É normal que surjam também questões sobre formas de transmissão e aspectos preventivos. Também é preciso estar preparado para dúvidas mais técnicas como janela imunológica, carga viral, CD4, entre outras. É importante que o profissional de saúde avalie o modo como paciente recebeu a notícia e reaja adequadamente às diferentes reações que ele pode ter nesse momento, sendo acolhedor.

É importante ter certeza de que a mensagem foi transmitida e compreendida com clareza. Há relatos de que ao receber como diagnóstico um ‘positivo’, o paciente entendeu que não estava infectado, dado que o positivo foi associado a algo bom. Para se certificar de que a mensagem foi compreendida, faça perguntas sobre o diagnóstico para o paciente, por exemplo, como ele se sente com o resultado do exame.

2- Preparar o espaço onde será feita a revelação

Garantir sigilo e respeitar a privacidade do paciente no momento da informação do diagnóstico é dever do profissional de saúde.

Por isso, adequar uma infraestrutura para que a notícia seja dada oferecendo todas as condições que evitam expor o paciente, ainda que de forma não intencional, a terceiros e minimize as interferências externas é um dos fatores essenciais.

Sugere-se, portanto, que o diagnóstico seja dado em uma sala fechada, de preferência com aviso na porta para evitar interrupções indesejadas pela entrada de outras pessoas a fim de garantir o total conforto do paciente.

Ajude a manter a privacidade do paciente evitando sair da sala durante sua conversa. Mesmo que pareça uma atitude simples, pode involuntariamente expor o paciente e revelar a notícia que está sendo transmitida.

3 - Saber avaliar o paciente

Desenvolver a habilidade de avaliar e entender as singularidades de cada paciente, para quem revela o diagnóstico, pode ser feita com base em três aspectos principais:

Capacidade cognitiva: o quanto a pessoa é capaz de compreender o que está sendo dito e pelo que está passando.

Tolerância emocional: entender o quanto a pessoa é capaz de lidar com momentos difíceis de sua vida e quais podem ser suas reações diante do fato.

Valores pessoais: crenças religiosas, espirituais e conceitos morais são aspectos relevantes na avaliação.   

A partir dessa avaliação, o profissional determina o melhor modo de comunicar o resultado e, ainda, identifica o que e o quanto o paciente quer saber naquele momento – há casos em que se aprofundar em explicações pode ser mais adequado em momentos posteriores.

Nesse momento é comum que o paciente tenha dúvidas sobre como e com quem compartilhar o diagnóstico. Também deve querer saber se precisa contar para toda a família ou revelar a condição no trabalho. É importante perguntar sobre o parceiro sexual, se este foi testado para HIV e se o paciente tem acesso a uma rede de apoio - mas que a decisão da revelação a terceiros cabe somente a ele.

4 - Estimular a expressão dos sentimentos

É importante se colocar como ouvinte considerando que este é um momento bastante delicado. Dar apoio de forma realista, mas acolhedora, sem julgamentos.

Tente perguntar o que ele sente.

Além de permitir e estimular a expressão dos sentimentos do paciente, é importante reconhecer e validar essa reação. É aconselhável que se evite comparação ou minimização. Evite expressões comuns ou similares a “entenda que você se expôs ao risco”, “não é só você que passa por isso” ou “você perceberá que não é o fim do mundo”.

5 - Planejar estratégias assistenciais

O profissional de saúde deve estar pronto para ajudar o paciente a vislumbrar as possibilidades de cuidado assim que ele se sentir apto para isso.

É preciso identificar o potencial apoio familiar e social. Procure verificar se há alguma pessoa com quem ele compartilhou ou compartilharia o diagnóstico e oriente o paciente a ter pessoas de apoio.

O início imediato do tratamento deve ser estimulado.

O estabelecimento do vínculo com a equipe de saúde é fundamental para a retenção do paciente e adesão ao cuidado, com melhores desfechos de saúde e qualidade de vida.

Nesse momento, o paciente deve ser estimulado a procurar cada vez mais informações sobre o HIV com os profissionais adequados e a respeito dos cuidados necessários. Ele sabe que é o principal ator do próprio tratamento – e que irá contar com orientações e apoio da equipe de saúde. Há muitas ONGs e grupos de apoio que podem contribuir.

 

  • Referências bibliográficas:

  • 1. SOUZA, TRC. Curso de teste rápido 2014_revelação diagnóstica - parte I. In: CENTRO DE REFERÊNCIA E TREINAMENTO DST/AIDS-SP. Disponível: < www.youtube.com/watch?v=p2ABZUmYlt8&feature=youtu.be >. Acesso em: 11 out. 2017
  • 2. SOUZA, TRC. Curso de teste rápido 2014_revelação diagnóstica - parte II. In: CENTRO DE REFERÊNCIA E TREINAMENTO DST/AIDS-SP. Disponível: < www.youtube.com/watch?v=FV5EEkKGgkQ&feature=youtu.be >. Acesso em: 11 out. 2017.
  • 3. SOUZA, TRC. Curso de teste rápido 2014_revelação diagnóstica - parte III. In: CENTRO DE REFERÊNCIA E TREINAMENTO DST/AIDS-SP. Disponível: < www.youtube.com/watch?v=AKQSJj-JzoY&feature=youtu.be >. Acesso em: 11 out. 2017.

BR/HIVP/0031/17 OUTUBRO 2017