Dúvidas frequentes das pessoas vivendo com HIV

24/11/2017

 

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Reunimos aqui algumas dúvidas e dicas de como lidar com situações comuns que podem surgir no dia a dia.

“Ter HIV é a mesma coisa que ter AIDS?”

É importante esclarecer ao paciente que não. HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Ele é o causador da AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida), doença que ataca o sistema imunológico, o mecanismo responsável por defender o organismo de doenças.1

Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Contudo, podem transmitir o vírus a outros pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez, o parto e a amamentação.2

“Se eu tenho HIV hoje, vou desenvolver AIDS no futuro?”

Essa é uma dúvida que causa bastante preocupação nos pacientes. Importante deixar claro que, sem o tratamento adequado, é quase certo que sim.

Porém, o tratamento para o HIV hoje ajuda em todos os estágios da doença e pode desacelerar ou prevenir a progressão de um estágio para o outro.3

O paciente precisa ser orientado a sempre procurar o seu médico em casos de dúvidas quanto ao seu diagnóstico e tratamento e que a adesão ao tratamento é vital para a manutenção da qualidade de vida.

“Existe cura para o HIV?”

Nesse caso, o paciente precisa ser informado de que até o momento não há cura, porém, a terapia antirretroviral pode melhorar significativamente a vida de muitas pessoas vivendo com HIV e diminuir as chances de transmissão da doença.2

Deve-se enfatizar que a TARV, uma vez iniciada, não deverá ser interrompida.4

“Quanto tempo tenho de vida?”

O paciente precisa ser esclarecido que, com acompanhamento especializado, adesão ao tratamento antirretroviral e outros cuidados, a expectativa de vida é a mesma que a de uma pessoa que não tem o vírus.5

“O que é tratamento antirretroviral?”

Esclarecer que o tratamento antirretroviral (TARV) é muito importante e tem como objetivo manter a boa saúde das pessoas vivendo com HIV.

Dúvidas sobre a terapia devem ser encaminhadas ao médico, porém esse momento de esclarecimento sobre o tratamento ideal é chave para reforçar a adesão explicando ao paciente que a terapia antirretroviral é capaz de reduzir a quantidade de HIV no sangue para níveis que são indetectáveis por testes laboratoriais padrão e até permitir que o sistema imunológico se recupere.6

“O que é adesão ao tratamento antirretroviral?”

É importante assegurar que o paciente tenha o entendimento correto do que é adesão ao tratamento que, além de seguir corretamente as orientações médicas e tomar os remédios prescritos nos horários indicados, também significa comparecer aos serviços de saúde nos dias previstos.7

A adesão ao tratamento antirretroviral deve ser entendida como um processo de diálogo, construído entre paciente e profissionais de saúde, que tem como objetivo facilitar, por parte do paciente, a aceitação e a integração do esquema terapêutico em seu cotidiano.

As ações para a adesão ao tratamento iniciam-se ainda na fase de diagnóstico.

É na comunicação do diagnóstico {LINK} que o profissional de saúde, trabalhando com acolhimento, atenção e respeito, pode garantir ao paciente o sentimento de vínculo e apoio, incidindo positivamente no processo de aceitação e adesão.

“É preciso alterar minha alimentação?”

Você pode recomendar ao paciente uma alimentação saudável, que forneça os nutrientes necessários ao funcionamento do organismo, preserve o sistema imunológico, melhore a tolerância aos antirretrovirais e favoreça a sua absorção. Além de prevenir os efeitos colaterais dos medicamentos e auxiliar no seu controle, promovendo a saúde e melhora no desempenho físico e mental.

Para suprir as demandas nutricionais e garantir o consumo adequado de proteínas, carboidratos, lipídios, minerais, fibras e água, é necessário fornecer orientações alimentares adequadas e seguras, mediante a educação nutricional que somente deve ser oferecida por profissionais habilitados.4

“Posso praticar atividades físicas?”

É aconselhável que a prática de atividades físicas seja estimulada sempre que possível.

A maioria dos estudos descreve os benefícios da prática de exercícios físicos sobre o estado clínico geral, capacidade funcional e aptidão física relacionada à saúde, assim como sobre diversos aspectos psicológicos.

O paciente também deve ser informado que qualquer orientação física, nutricional, psicológica ou sobre qualquer outro aspecto relacionado à sua saúde só pode ser fornecida por profissional habilitado.4

“Devo contar para a minha família? E no trabalho?”

É interessante deixar claro que o paciente não é obrigado a contar a ninguém.

A lei também garante que ninguém pode obrigá-lo a fazer o teste nem exigir o resultado de um. No caso da família, é importante que ele encontre o apoio necessário, tanto clínico quanto emocional, e o aconselhador tem papel importante para ajudar a identificar uma pessoa de confiança. Em caso de dúvida, ele deve procurar um profissional de direito especializado no tema.8-10

“O que é CD4? E carga viral?”

É comum que surjam dúvidas relacionadas a exames e termos frequentemente utilizados que não são familiares para os pacientes.

É importante que o paciente tenha conhecimento que CD4 é o nome dado às células que têm como principal função nos proteger contra infecções e doenças.

A contagem de CD4 nos diz qual a quantidade dessas células que está presente no sangue.

Quanto maior for essa contagem, melhor para o indivíduo. Já a carga viral, por sua vez, mede a quantidade de HIV no sangue. Com o tratamento adequado, ela se torna indetectável.11

“O que é carga viral indetectável?”

O paciente precisa ser esclarecido que a carga viral indetectável é aquela não perceptível em testes laboratoriais padrão e que a adesão regular ao tratamento antirretroviral pode, em algumas semanas, reduzir os níveis de vírus a patamares indetectáveis, permitindo que o sistema imunológico comece a se recuperar.6

“Posso transmitir HIV se estiver com carga viral indetectável?”

Há um consenso crescente entre cientistas de que pessoas com carga viral indetectável não transmitem o vírus sexualmente.6 

Esse consenso, porém, aplica-se apenas caso a pessoa siga corretamente o tratamento, com a adesão avaliada regularmente pelo médico; se for constatada a supressão da carga viral por, pelo menos, seis meses consecutivos; e se não coexistirem outras infecções de transmissão sexual.12

A consciência de que eles não estão mais transmitindo o HIV sexualmente pode proporcionar às pessoas que vivem com o vírus um forte senso de que passam a ser agentes de prevenção em sua abordagem para os relacionamentos novos ou já existentes.6

Apesar disso, é importante reforçar para o paciente que a prevenção e o cuidado devem ser contínuos por causa da possibilidade de infecção por outras ISTs (infecções sexualmente transmissíveis.



  • Referências bibliográficas:

  • 1. Ministério da Saúde. O que é HIV? Disponível em < http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/links-de-interesse/286-aids/9053-o-que-e-hiv > Acesso em: 18 out. 2017. ?
  • 2. Ministério da Saúde. 12 dúvidas básicas e importantes sobre HIV/AIDS. Disponível em < http://www.blog.saude.gov.br/index.php/perguntas-e-respostas/51861-12-duvidas-basicas-e-importantes-sobre-hiv-aids-usecamisinha >. Acesso em 18 out. 2017. ?
  • 3. BRASIL. Informações básicas. Disponível em < http://unaids.org.br/informacoes-basicas/ > Acesso em 18 out. 2017. ?
  • 4. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o manejo da infecção pelo HIV em adultos. Disponível em < http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2013/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-manejo-da-infecção-pelo-hiv-em-adultos > Acesso em 18 out. 2017. ?
  • 5. AGÊNCIA DE NOTÍCIAS AIDS. Soropositivos que tomam antirretrovirais e que cuidam bem da saúde têm a mesma expectativa de vida que uma pessoa sem HIV, indicam estudos. Disponível em < http://www.agenciaaids.com.br/home/noticias/volta_item/14192 >. Acesso em 18 out. 2017. ?
  • 6. BRASIL. O que significa estar com carga viral indetectável? Disponível em < http://unaids.org.br/2017/07/indetectavel-saude-publica-e-supressao-viral-do-hiv/ >. Acesso em 18 out. 2017. ?
  • 7. Secretaria do Estado de São Paulo. Diretrizes para implementação da rede de cuidados em IST/HIV/AIDS – Manual de assistência. Disponível em < http://www.saude.sp.gov.br/resources/crt/publicacoes/publicacoes-download/diretrizes_para_implementacao_da_rede_de_cuidados_em_ist_hiv_aids_-_vol_iii_-_manual_de_assistencia.pdf > Acesso em 18 out. 2017. ?
  • 8. SOUZA, TRC. Curso de teste rápido 2014_revelação diagnóstica - parte I. In: CENTRO DE REFERÊNCIA E TREINAMENTO DST/AIDS-SP. Disponível: < www.youtube.com/watch?v=p2ABZUmYlt8&feature=youtu.be >. Acesso em: 11 out. 2017 ?
  • 9. SOUZA, TRC. Curso de teste rápido 2014_revelação diagnóstica - parte II. In: CENTRO DE REFERÊNCIA E TREINAMENTO DST/AIDS-SP. Disponível: < www.youtube.com/watch?v=FV5EEkKGgkQ&feature=youtu.be >. Acesso em: 11 out. 2017 ?
  • 10. SOUZA, TRC. Curso de teste rápido 2014_revelação diagnóstica - parte III. In: CENTRO DE REFERÊNCIA E TREINAMENTO DST/AIDS-SP. Disponível: < www.youtube.com/watch?v=AKQSJj-JzoY&feature=youtu.be >. Acesso em: 11 out. 2017 ?
  • 11. NAM AIDSMAP. O Básico – CD4 e carga viral. Disponível em: < http://www.gatportugal.org/public/uploads/publicacoes/brochuras/Basico%20-%20CD4%20e%20carga%20viral.pdf >. Acesso em 18 out. 2017 ?
  • 12. GRUPO PELA VIDA. Pessoas em tratamento transmitem o HIV? Disponível em: < http://www.aids.org.br/noticia/tratamento/pessoas_em_tratamento_transmitem_o_hiv.html >. Acesso em 18 out.2017. ?

BR/HIVP/0031/17 OUTUBRO 2017