Estratégias para a troca de terapia

05/07/2018

 

Os avanços da terapia antirretroviral (TARV) foram significativos desde as décadas de 1980 e 1990. Novos medicamentos, mais eficazes, ampliaram o leque de opções para o tratamento da infecção pelo HIV, com barreiras genéticas maiores e menos complicações para uma boa adesão, já que possibilitaram a redução da quantidade de comprimidos e minimizaram eventos adversos (ou efeitos colaterais).1

 

Desde então, a maioria dos pacientes que seguem o tratamento de forma adequada consegue atingir e sustentar a supressão virológica (carga viral indetectável). Ao mesmo tempo, tornou-se comum que se acostumem a alguns desconfortos ou pequenos sintomas - tais como dores de cabeça, enjoos, diarreias, entre outros - que poderiam ser ainda mais minimizados, com uma substituição dos medicamentos.1

 

Quando detectamos que um paciente aderente se queixa de efeitos relacionados ao medicamento, abre-se uma possibilidade para a troca, com o objetivo de melhorar ainda mais a qualidade de vida da pessoas vivendo com HIV (PVHIV).1,2

 

Sendo assim, e´ possi´vel considerar a mudanc¸a de um esquema eficaz para um esquema alternativo em algumas situac¸o~es:1,3

› Efeitos adversos agudos/subagudos;

› Prevenc¸a~o de toxicidade em longo prazo;

› Comorbidades associadas;

› Prevenc¸a~o de interac¸o~es medicamentosas graves;

› Planejamento de gravidez.

 

Atualmente, no Brasil, o Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, HIV/AIDS e Hepatites Virais permite a substituic¸a~o da TARV com inibidores de transcriptase reversa não análogos de nucleosídeo (ITRNN) ou inibidores de protease (IP) por esquemas com dolutegravir (DTG) após avaliação individualizada e criteriosa da necessidade e dos benefícios desta troca para as PVHIV e sem necessidade de aprovação prévia por uma Câmara Técnica Assesora no Manejo de Antirretrovirais.2

 

Cuidados para definir a necessidade da troca da TARV

 

O primeiro passo para definir a necessidade de troca da TARV é uma boa anamnese, capaz de levantar informações sobre as necessidades individuais do paciente, para que o médico da equipe multidisciplinar possa considerar a troca do esquema antirretroviral (ARV) em uso.1,2

 

É fundamental revisar o histo´rico do paciente, incluindo resposta virolo´gica, toxicidades associadas e resultados de genotipagens anteriores. Isso contribuiu para uma avaliação correta dos níveis de resistência dele a mudanças. Muitas vezes, o próprio paciente se opõe à troca, alegando estar bem-adaptado ao tratamento atual, mesmo quando seu médico vê benefícios inequívocos na troca.3

 

Quando o paciente se encontra em uso de seu primeiro esquema, sem nunca ter apresentado falha terapêutica, a troca geralmente é mais simples devido às variadas possibilidades de substituição dos medicamentos antirretrovirais.1,3

 

No caso do paciente com histórico de uso de mono ou dupla terapia, ou falhas a esquemas prévios, deve-se pensar um pouco mais sobre a troca - exceto em casos que exista toxicidade aparente e incontornável ao esquema vigente.1,3

 

Um ponto de atenção é o risco da troca de esquemas induzir o paciente a erros na dispensação ou na tomada dos novos medicamentos, uma vez que ele está habituado à prescrição anterior.3

 

Após a troca é necessário um intensivo monitoramento para avaliar o paciente quanto a sua tolerância, sua resposta virolo´gica e seu nível de adesa~o. O ideal é o agendamento de um retorno entre sete a 15 dias e a realização de um teste para carga viral do HIV oito semanas após a troca.1

 

Sempre que uma troca de medicação for proposta, é importante explicar os objetivos e as vantagens, sem superestimar nem subestimar os desejos, queixas e a compreensão da PVHIV.1,2

 

Cabe ressaltar que não se sugere trocas em situações em que a PVHIV apresente carga viral detectável. Neste caso, a recomendação seria a realização de teste de genotipagem, que viabiliza a reorientação do tratamento e a escolha apropriada da terapia.1,2

 

 

Referências bibliográficas

 

  • 1. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para manejo da infecção pelo HIV em adultos. Disponível em < http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2013/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-manejo-da-infeccao-pelo-hiv-em-adultos> Acesso em 21 jun 2018.
  • 2. BRASIL, Ministério da Saúde. Nota Informativa No. 03/2018.-COVIG/CGVP/DIAHV/SVS/MS. Disponível em: . Acesso em 21 jun. 2018
  • 3. Carlos. Estratégias de troca (switch) na terapia antirretroviral atual. Disponível em: Acesso em 21 jun. 2018.

 

 

BR/HIVP/0072/18 JULHO 2018