Indetectável = Intransmissível

17/10/2019

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Durante o Congresso da Internacional AIDS Conference (IAC), que aconteceu em julho de 2018, em Amsterdã, foi discutido sobre a possibilidade ou não da transmissão do HIV por indivíduos em acompanhamento regular e supressão viral.

No estudo Partner, que é um estudo multicêntrico, observacional e prospectivo sobre a transmissão de HIV entre casais sorodiscordantes, não foi observada transmissão do vírus em pessoas com HIV com carga viral indetectável (CV < 200 cópias/mL), mesmo quando não relatado o uso de preservativos.1

Em sua primeira fase, o estudo relatou dados de 548 casais heterossexuais e 340 casais de homens que fazem sexo com homens (HSH) e não foi comprovado casos de transmissão entre os casais.1 Em sua segunda fase, o objetivo foi validar os resultados anteriores.1 Em um intervalo de dois anos, 783 casais HSH foram acompanhados.1 No total, somando as duas fases do estudo, 783 casais HSH contribuíram com 1.596 pares-anos de acompanhamento (CYFU).2

No entanto, 15 parceiros HSH inicialmente infectados pelo HIV tenham contraído a infecção ao longo do estudo, as análises mostraram que o vírus transmitido não se originou dos parceiros suprimidos de forma estável.2 Esses resultados surgem 10 anos após o lançamento da Declaração Suíça de 2008 e do início do movimento indetectável = intransmissível (I=I).2

É possível afirmar que pacientes em acompanhamento regular e com boa adesão à TARV não têm risco de transmitir o vírus.1 É direito do paciente saber que não há risco de propagação do HIV. Isso pode contribuir para melhorar sua adesão ao tratamento, a qualidade de vida e a confiança na sua vida sexual. Entretanto, ainda é necessário ressaltar a importância do uso de preservativos para prevenir outras infecções sexualmente transmissíveis.

Contribuindo para o combate ao estigma

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O Brasil está entre os 30 países que possuem 89% dos registros mundiais de HIV.3 Apesar desses números, desde 2004 observa-se uma melhora no impacto da infecção com diminuição de 42% das mortes relacionadas à AIDS.3 Entretanto, o estigma é visto como uma grande barreira, podendo prejuízos sociais e psicológicos e gerar o isolamento dessas pessoas.3

O conceito de I=I pode ser uma resposta relevante no combate ao estigma, melhorando a qualidade de vida do paciente, pois quando uma pessoa alcança a carga viral indetectável, o vírus deixa de ser transmitido em relações sexuais.4

A equipe multidisciplinar tem um papel fundamental na divulgação desse conceito por meio do diálogo próximo e aberto com os pacientes, com o objetivo de melhorar a adesão do paciente e contribuir com o combate ao estigma do HIV.

 

Referências bibliográficas:

  • 1. RODGER, AJ. et al. Sexual activity without condoms and risk of HIV transmission in serodifferent couples when the HIV-positive partner is using suppressive antiretroviral therapy. JAMA, 316(2):171-81, 2016.
  • 2. RODGER, A. et al. Risk of HIV transmission through condomless sex in MSM couples with suppressive ART: The PARTNER2 Study extended results in gay men. Program and abstracts of the 22nd International AIDS Conference; July 23-27, 2018; Amsterdam, The Netherlands. Abstract WEAX0104LB.
  • 3. Caliari JS, Teles SA, Reis RK, Gir E. Fatores relacionados com a estigmatização percebida de pessoas vivendo com HIV. Rev Esc Enferm USP. 2017;51:e03248.
  • 4. UNAIDS. Indetectável = intransmissível. Saúde pública e supressão da carga viral do HIV. Disponível em: https://unaids.org.br/wp-content/uploads/2018/07/. Indetectável-intransmiss%C3%ADvel_pt2.pdf. Acesso em: abr. 2019.

 

 

NP-BR-HVX-BRFS-190004 Outubro 2019

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