O que é adesão ao tratamento e qual sua importância?

24/11/2017

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A adesão ao tratamento de HIV (terapia antirretroviral - TARV) é fundamental para melhorar a qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV. Sensibilizar o paciente para adesão à terapia é uma das tarefas mais difíceis do profissional de saúde, e nem sempre a tarefa é bem-sucedida.


As singularidades do paciente em aspectos físicos, psicológicos, sociais, culturais e comportamentais por vezes atrapalham a adesão. Por isso, são importantes as decisões compartilhadas e corresponsabilizadas entre a pessoa que vive com HIV, a equipe de saúde e a sociedade.1


O principal objetivo da TARV é suprimir a carga viral para níveis indetectáveis até 24 semanas após o início do tratamento. Quanto antes for iniciada, maiores serão as chances de sucesso terapêutico. A TARV deve ser oferecida a todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente do nível de CD4.1

Vantagens do início precoce da TARV bem-sucedida

1. Suprime o HIV 
2. Preserva a função imune 
3. Reduz ativação imune/inflamação sistêmica 
4. Previne eventos definidores de AIDS
5. Previne a transmissão do HIV
6. Reduz comorbidades (renais, cardiovasculares, hepáticas)
7. Aumento da expectativa de vida
8. Melhora custo-efetividade do tratamento

Adaptado a partir da referência 1.



Para o sucesso da terapia antirretroviral é importante a pessoa estar preparada para iniciar e manter uma boa adesão ao tratamento ao longo do tempo, que envolve tomar as medicações corretamente, na dose e frequência prescrita, além de realizar exames de acompanhamento no tempo adequado.1


A equipe de saúde deve se manter atenta a possíveis obstáculos para a adesão, nem sempre facilmente explicitados pelo paciente, por exemplo: dificuldades para o cumprimento dos horários, intolerância pelos efeitos adversos ou impossibilidade de comparecimento à unidade de saúde para a retirada dos medicamentos ou consultas (seja por dificuldades físicas, emocionais ou financeiras).

 

O fato de se sentirem bem de saúde após um tempo em TARV e, por isso, questionarem a continuação do tratamento, também causa redução de adesão.1,2

Algumas frases ditas por pacientes em TARV podem indicar a possibilidade de queda na adesão ao tratamento. Fique atento a elas:
“Estou cansado de tomar remédio”;“Estou tão bem, nem parece que tenho essa doença”; “Achei que estava curado”.

Estudos apontam que entre 30% a 50% de pessoas em TARV interrompem o tratamento por conta própria, por diferentes períodos de tempo, uma ou mais vezes ao longo da história do tratamento.

 

O abandono da terapia pode ocorrer em paralelo ao abandono do acompanhamento clínico, incluindo o não comparecimento às consultas, não realização de exames complementares e de qualquer outra ação relacionada ao autocuidado.

 

Nesses casos, o serviço pode perder completamente o contato com o paciente e desconhecer as dificuldades e motivos que levaram ao abandono.2

 

A escolha do paciente em não fazer o tratamento é um fato a ser considerado, respeitado e trabalhado pelo serviço de saúde.

A abordagem consentida é uma estratégia de intervenção que pode ser discutida e organizada por todos os membros da equipe multidisciplinar de saúde, observando os princípios éticos e legais da ação. Trata-se de uma ação que visa o (re)estabelecimento e o fortalecimento do vínculo do paciente com o serviço de saúde.

 

Seu objetivo vai além de trazê- lo de volta ao serviço: visa conhecer a sua situação atual e trabalhar com ele os fatores que estão determinando a não adesão.2


O ideal é que a abordagem dos casos de abandono do tratamento seja centrada no sujeito, levando em consideração aspectos éticos importantes e peculiaridades da infecção pelo HIV/AIDS, como o estigma e a discriminação ainda presentes no contexto da epidemia. E, especialmente, no direito que as pessoas têm em relação à manutenção do sigilo acerca de seu diagnóstico.2

 

  • Referências bibliográficas:

  • 1. Secretaria do Estado de São Paulo. Diretrizes para implementação da rede de cuidados em IST/HIV/AIDS – Manual de assistência. Disponível em < http://www.saude.sp.gov.br/resources/crt/publicacoes/publicacoes-download/diretrizes_para_implementacao_da_rede_de_cuidados_em_ist_hiv_aids_-_vol_iii_-_manual_de_assistencia.pdf >. Acesso em 18 out. 2017.
  • 2. Ministério da Saúde. Manual de adesão ao tratamento para pessoas vivendo com HIV e AIDS. Disponível em < http://www.aids.gov.br/es/node/59201 >. Acesso em 18 out. 2017.

BR/HIVP/0031/17 OUTOBRO 2017

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