Os desafios do envelhecimento de pessoas vivendo com HIV

18/09/2019

 



O número de pessoas vivendo com HIV com mais de 50 anos triplicou desde o ano 2000.1; De acordo com o último Boletim Epidemiológico, no Brasil, em 2017, foram diagnosticados 42.420 novos casos de HIV e 37.791 casos de AIDS. 2 Do ano 2000 a junho de 2018, registrou-se um total de 717.318 casos. 2 As tendências de aumento mais claras foram observadas entre indivíduos de idade igual ou superior a 60 anos em ambos os sexos. 2 A taxa de detecção em mulheres nesta faixa etária passou de 5,3 para 6,4 pessoas para cada 100 mil habitantes na última década. Já para os homens o aumento foi de 10,3 para 13,4. 2

Complicações do envelhecimento associadas ao HIV

A evolução do tratamento para as pessoas que vivem com HIV (PVHIV) está causando um aumento na expectativa de vida.1; No entanto, pode haver desafios para as PVHIV que estão em tratamento a longo prazo.1; Acredita-se que mais de 80% destes pacientes terão pelo menos uma doença relacionada ao envelhecimento e aproximadamente um terço terá pelo menos três.1;

Devido a essa expectativa de vida mais longa, os indivíduos que vivem com HIV podem passar a apresentar características clínicas comuns do envelhecimento, como: múltiplas doenças ou condições crônicas, o uso de grande número de medicações e mudanças nas habilidades físicas e cognitivas.3;

Papel do profissional de saúde diante de um paciente idoso vivendo com HIV

A compreensão do processo de como a idade afeta o HIV e como o terapia antirretroviral (TARV) pode influenciar esse fenômeno é uma peça importante que ajudará a abordar essas questões clínicas.1; Além disso, é preciso compreender as características do envelhecimento dos pacientes com HIV.1; O acompanhamento a longo prazo dos pacientes pode ajudar a fornecer ferramentas para o gerenciamento e prevenção de cuidados.1;

O acesso à TARV é o fator mais importante ligado à sobrevida dos pacientes diagnosticados com HIV após os 50 anos. 4 No contexto da terapia antirretroviral e do envelhecimento, a presença de comorbidades e a necessidade de múltiplos tratamentos são os principais desafios. 4 Quanto maior o número de comorbidades, maior o risco de declínio na capacidade funcional.4 Por isso, é preciso definir medidas específicas de prevenção e enfrentar as particularidades da TARV para essa população.4

Considerando esse cenário, a individualização da terapia é necessária para os pacientes mais idosos, assim como, uma abordagem multidisciplinar que deve incluir avaliações metabólicas, pressão arterial, função renal, triagem para depressão e entre outros.4 Em alguns casos, também é importante fazer avaliações mais amplas no processo de acompanhamento de pacientes vivendo com HIV com mais de 50 anos.4

Os profissionais de saúde devem estar atentos a necessidade de individualização da TARV para estes pacientes, nos quais se sobrepõem toxicidades e há maior risco de interações medicamentosas.4 Atualmente, para este perfil de pacientes, a OMS prioriza os antirretrovirais com eficácia e tolerabilidade superiores, considerando a compatibilidade com tratamento de comorbidades associadas.4

Outro ponto de atenção para essa população é o estigma.3 Ele afeta negativamente a qualidade de vida, a autoimagem e os comportamentos dos pacientes, o que pode prejudicar a busca por tratamento.3 A escolha da TARV deve levar em conta também o estilo de vida do paciente, a facilidade de uso, o perfil de tolerabilidade e a avaliação das interações medicamentosas.4

Por isso, é necessário um olhar especial para estes pacientes para garantir que sua TARV esteja adequada às suas necessidades para ajuda-los a permanecer saudáveis e engajados na terapia antirretroviral.3

 

NP-BR-HVX-BRFS-190002 SETEMBRO 2019

 

Referências bibliográficas:

Materiais educativos