Vacinação de pessoas vivendo com HIV/AIDS

17/10/2018

vacina

 A imunização de pessoas vivendo com HIV (PVHIV), por meio das vacinas do calendário nacional do Ministério da Saúde, é uma medida muito importante para a prevenção de infecções oportunistas e, consequentemente, para a manutenção da saúde dos pacientes. é imprescindível também o acompanhamento do paciente pela equipe multidisciplinar. 1

Todos os adultos e adolescentes podem receber as vacinas do calendário, desde que não apresentem deficiências imunoloágicas importantes 3. É importante também a avaliação criteriosa do médico sobre os riscos e benefícios. Isso porque à medida que a imunodepressão aumenta, o risco relacionado à administração de vacinas de agentes vivos cresce na mesma proporção. Da mesma forma, é reduzida a possibilidade de resposta imunoloágica consistente.3

Os principais desafios para definir o modelo de imunização são:

- definir o antiágeno mais adequado

- escolher o esquema mais apropriado para o quadro clínico

- determinar o momento certo para obter melhores resultados

As dúvidas com relação ao melhor momento para a vacinação com maior segurança e qual esquema de imunização seguir são as principais causas das perdas de boas oportunidades para vacinar as PVHIV contra algumas das infecções oportunistas.

 

Recomendações

Sempre que possível, a vacinação em pacientes sintomáticos ou com contagem de LT-CD4+ abaixo de 200 células/mm3 (quadro de imunodeficiência grave) deve ser evitada. Nesses casos, o protocolo recomenda que se aguarde um grau satisfatoário de reconstituição imune, obtido com o uso de terapia antirretroviral (TARV), proporcionando melhor resposta vacinal e redução de riscos de complicações poás-vacinais. 2

Parâmetros imunoloágicos para vacinação (com vacinas de bactérias ou vírus vivos em paciente maiores de 13 anos vivendo com HIV)3

Contagem de LT-CD4+ (percentual) Recomendação para uso de vacinas com agentes vivos atenuados
>350 céls/mm3 (>20%)

Indicar o uso

200-350 céls/mm3 (15%-19%)

Avaliar parâmetros clínicos e risco epidemiológico para a tomada de decisão

3 (<15%)

Não vacinar

Esquema base de vacinação (pacientes maiores de 13 anos vivendo com HIV)3

VACINA RECOMENDAÇÃO
TrÍplice viral

Duas doses em suscetíveis até 29 anos, com LT-CD4+ >200céls/mm3 Uma dose em suscetíveis entre 30 e 49 anos, com LT-CD4+ >200 céls/mm3

Varicela(a)

Duas doses com intervalo de três meses em suscetíveis, com LT-CD4+ >200 céls/mm3

Febre amarela(b)

Individualizar o risco/benefício conforme a condição imunológica do paciente e a situação epidemiológica da região. Vacinar quando LT-CD4+ >200 céls/mm3

Dupla do tipo adulto (dT)

Três doses(0, 2, 4 meses) e reforço a cada 10 anos

Haemophilus influenzae tipo b (Hib)

Duas doses(0, 2 meses) em menores de 19 anos não vacinados

Hepatite A

Duas doses (0 e 6 a 12 meses) em indivíduos suscetíveis à hepatite A(anti-HAV negativo) portadores de hepatopatia crônica, incluindo portadores crônicos do vìrus da hepatite B e/ou C

Hepatite B

Dose dobrada recomendada pelo fabricante, administrada em quatro doses (0, 1, 2 e 6 a 12 meses) em todos os indivíduos suscetíveis à hepatite B (anti-HBc negativo, anti-HBs negativo)

Streptococcus pneumoniae (23-valente)

Duas doses com intervalo de cinco anos, independentemente da idade

Vacina papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante) – HPV quadrivalente

Indivíduos entre 9 e 26 anos, desde que tenham contagem de LT-CD4+ >200 céls/mm3. Vacina administrada em três doses (0, 2 e 6 meses)

(a) Existem poucos dados que respaldem seu uso de rotina em adultos e adolescentes HIV+ suscetíveis à varicela.

(b) Contraindicada em gestantes.

 

 

  1. IMUNIZAÇÕES. Sociedade Brasileira. Guia de Imunização SBIm/SBI - HIV/AIDS. 2017. P. 5. Disponível em: <https://www.infectologia.org.br/admin/zcloud/125/2016/10/guia-HIV-SBIm-SBI-2016-2017-160915a-bx.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2018.

  2. SãO PAULO. Secretaria de Estado da Saúde. Diretrizes para Implementação da Rede de Cuidados em IST/HIV/AIDS Manual de Assistência. 2017. P. 163- . Disponível em: <http://www.saude.sp.gov.br/resources/crt/publicacoes/publicacoes-download/diretrizes_para_implementacao_da_rede_de_cuidados_em_ist_hiv_aids_-_vol_iii_-_manual_de_assistencia.pdf> Acesso em: 31 ago. 2018.

  3. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos. 2017. P. 75 - 76. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2013/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-manejo-da-infeccao-pelo-hiv-em-adultos>. Acesso em: 31 ago. 2018

 

 

BR/HIVP/0094/18 SET/2018